sábado, 31 de julho de 2010

O Desespero

Venho por meio deste contar fatos e histórias que aconteceram comigo. Me identificarei aqui por Julio. Tenho 18 anos e moro em uma cidade chamada Muzambinho, no interior de Minas Gerais. Possuiria uma vida bastante comum, se não fosse pelo fato de não ter me decidido sexualmente ainda e possuir um pai alcoólatra. 
Com relação a sexualidade falarei depois, por ser um assunto muito complexo - ainda mais pela minha forma de pensar - e por não estar apto sentimentalmente no momento.  
Tudo começou quando eu tinha aproximadamente 7 anos. Filho de uma familia humilde e honesta, meus pais eram super trabalhadores. Meu pai possuía um bar e minha mãe fazia quitandas e bordados para vender. O sonho da minha família era possuir casa própria, e para isto, todo mês reservava um dinheiro para ser depositado em uma conta. Há anos este depósito era feito, até que chegou o tão sonhado dia e nos mudamos para uma casa maior e melhor. Até então, possuía um relacionamento completamente amoroso com minha familia. Quando completei 10 anos ele começou a beber, e com a bebida se tornando vício, se tornava cada vez mais difícil administrar o bar. As despesas passaram a ser maiores que o lucro, e com isso, minha família resolveu vender o bar. Meu pai encontrava-se desempregado, apenas fazendo bicos e o vício só aumentando. Foi exatamente neste  momento que um amigo (e parente distante) resolveu ajudar meu pai e ofereceu-lhe um emprego. Ele aceitou e logo estava trabalhando como técnico agrícola para ele. O vício estava controlado. Mas algum tempo se passou e empenhando em a função dele, foi promovido. Agora ele era o responsável por ensinar e fiscalizar todos os trabalhadores da lavoura, com isso veio o aumento, e com o aumento a bebida. O normal já não se encontrava. Havia brigas quase todos os dias em casa. Aos 17 anos, minha irmã não aguentava mais a situação. Ficou noiva, casou-se e se mudou. Ela não gosta de falar isso, mas todos nós sabemos que foi a maneira dela de se livrar da tormenta em casa (Este fato será contado detalhadamente em uma nova postagem no futuro). Foi então que ele começou a "descontar" em mim. Foram muitos os incidentes, difíceis de ser contados em uma unica postagem. Com o tempo contarei os mais marcantes.
Chego então no dia de hoje. Exatamente! No dia de hoje: 31 de julho de 2010 - Sábado. Acordei com o barulho de latas. Minha mãe estava as limpando, porém não sei o motivo. Meu pai, como faz diariamente, pega o carro para ir a algum lugar (desta vez era até um sítio e uma fábrica). Quando ele chega em casa, noto uma diferença nele: o olho! Sei quando ele bebeu, mesmo que moderadamente somente pelo olhar. A voz fica mais suave também, mas como não dialogamos mais isso não faz diferença. Muitas pessoas me criticam por não dialogar com ele, mas diferente de minha irmã, não perdoo com facilidade. Ele me fez sofrer muito e quando uma "praga" cresce em uma plantação, nós a cortamos - ou damos um jeito de mata-la, mas isso eu não teria coragem. Foi isso que fiz! Converso somente o necessário com ele. Mas voltamos a história. Quando me dei conta, ele já havia saido novamente, e para meu desgosto, voltou mais bêbado que antes. Ele pegou e se deitou (Afinal, nada melhor que um cochilo pra curar da bebedeira!). Ao acordar (por volta de 15:30 horas) me disse que iria buscar minha mãe no serviço ( nos dias de hoje ela trabalha de diarista!). E voltou completamente bêbado e sem ela. Foi então que resolver brigar comigo como era o costume. Inventou uma desculpa qualquer. As vezes penso que pra ele brigar nem precisa de motivos. Ele falava algo do tipo:
- Você não tem dó da sua mãe?! Ela trabalhando, ralando e você sem fazer nada. Só sujando!
Foi então que me pronunciei:
- Não adianta tentar. Meu dia está ótimo e não é você que vai estraga-lo. 
Entrei no meu quarto, me tranquei e coloquei uma musica alta o bastante para sufocar o que ele dizia. O fato de ouvi-lo não me irritava, a não ser pelo fato de repetir aproximadamente quatro vezes a mesma coisa quando bebe. Ele falou por 15 minutos ( e eu em sei o quê). Quando me dei conta, ele havia ido dormir novamente. minha mãe chegou em casa e eu perguntei para ela se ele havia ido busca-la. Ela disse grosseiramente:
- Você me viu chegando com ele?!
Fiquei quieto. Mas como possuo muita confiança na minha mãe, resolvi conta-la o que aconteceu. Foi então que ele se levantou e começou a brigar comigo. Minha mãe se estressou e Começou a dizer:
- para de brigar vocês dois!
- mas eu estou quieto na minha! Não falei nada - Eu disse
E ela continuou:
- Que inferno que tá minha vida. eu tô gripada, chego cansada do serviço e vocês ficam brigando(dentre muitas outra coisas)
Fiquei na minha. Peguei o avental e fui lavar a louça. Quando percebo ela estava chorando, com a rsspiração ofegante e saindo correndo por estar com falta de ar.
Não entrei em desespero. Isso já havia ocorrido inúmeras vezes, porém não tão forte. Ela me pedia socorro, ajuda. Dizia que o coração doia. que ia ter um treco. Eu neste momento não sabia o que fazer. Foi então que me acalmei e tentei acalma-la. Dizia apenas para respirar fundo e tentar se acalmar. Silva (como irei chamar meu pai - se é que ainda o considero isso!) veio e só atrapalhava-me. queria que ella fosse para o quarto e lá possui menos ar. Eu não permiti. Pensso que me alterie nesse momento, mas em tom de ordem (e reprovação) MADEI ele buscar agua com açucar para ajuda-la a se acalmar. Com cerca de 5 minutos ela conseguiu se recompor. estava corada novamente. Sai e fui fazer minhas coisas. Agora, cerca de dez minutos depois do ocorrido, encontram-se cada um trancado em um quarto, sem saber o que vai ser...
O decorrer dessa trajetória você acompanha aqui, e que o final seja feliz...


Julio'